Métodos de apoio a decisão

Por Léonard Rocha Loures e Guilherme Buttenbender.

Existe uma teoria de decisão que visa ajudar as pessoas a tomarem decisões melhores, em face de suas preferências básicas. Diante disso, a teoria presume que diante de decisões simples as pessoas são capazes de expressar as suas preferências, porém em problemas mais complexos o ser humano apresenta limitações cognitivas.

Segundo Kaufmann(1999), são três fontes:

  1. Capacidade limitada do processamento de cérebro humano
  2. Desconhecimento de todas as alternativas possíveis de resolver problema
  3. Influência dos aspectos emocionais e afetivos.

Dessa forma, a teoria da decisão visa um conjunto de procedimentos e métodos de análise que procuram assegurar a coerência, a eficácia e a eficiência das decisões tomadas em função das informações disponíveis.

Baseado nessa teoria, foi criado um modelo de processo de decisão por Auren Uris (1989) que serve de base para diversos métodos de apoio a decisão, esse modelo apresenta os itens chaves:

  1. Análise e identificação da situação problema
  2. Desenvolvimento de alternativas
  3. Comparação entre alternativas
  4. Classificação dos riscos de cada alternativa
  5. Escolha da melhor alternativa
  6. Execução e Avaliação

MÉTODOS MULTICRITÉRIO DE APOIO A DECISÃO (MCDA)

Agora que você já está familiarizado com a teoria podemos partir para os métodos.

Mas afinal o que são os métodos multicritérios?

Eles são métodos que possuem um caráter científico e, ao mesmo tempo, subjetivo, trazendo consigo a capacidade de agregar, de maneira ampla, todas as caraterísticas consideradas importantes, inclusive as não quantitativas, com a finalidade de possibilitar a transparência e a sistematização do processo referente aos problemas de tomada de decisões.

As vantagens de usar esse tipo de método são:

  • A constituição de uma base para o diálogo entre os interventores, utilizando diversos pontos de vista comuns
  • Maior facilidade para incorporar incertezas aos dados segundo cada ponto de vista
  • Enfrentar cada solução como um compromisso entre os objetivos em conflito

Desse modo, a COMEP apresenta alguns dos principais métodos multicritério de apoio a decisão:

  1. Família ELECTRE

A metodologia desenvolvida por Benayoun & Tergny (1969) e Roy (1971), sustenta-se em três conceitos fundamentais: concordância, discordância e valores-limite (“outranking”), utilizando um intervalo de escala no estabelecimento das relações-de-troca na comparação aos pares das alternativas.

O método baseia-se na separação do conjunto das alternativas da solução, daquelas que são as preferidas na maioria dos critérios de avaliação, sem causar um nível de descontentamento inaceitável para qualquer um dos critérios fixados. A partir da matriz de avaliação, as alternativas são comparadas, aos pares, com base em relações de preferência.

  • Promethee (Preference Ranking Organization Method for Evaluation)

Caracteriza-se pela capacidade de analisar os pesos referentes a cada critério determinando sua influência perante as alternativas. Para sua eficiente utilização cada critério é relacionado a um vetor de pesos, e em virtude de não haver regras para determinação dos pesos este trabalho fica a cargo exclusivamente do decisor.

O sucesso desse método se deve em grande parte as suas propriedades matemáticas e sua facilidade de utilização.

  • TOPSIS

Consiste em uma análise de similaridade calculando a distância da alternativa às soluções ideal e inversa (ou “anti-ideal”), sendo que as alternativas buscadas se encontram mais próximas da solução ideal e mais distantes da inversa (Gomes & Gomes, 2012).

  • AHP (Analytic Hierarchy Process)

Idealizada por (Thomas Saaty, 1970), este método utiliza uma base de comparação par a par para mensurar os critérios, que por sua vez são dispostos de maneira hierárquica.

Uma importante característica é a capacidade de medir a consistência lógica dos resultados obtidos. Este fato o torna apropriado para determinação de pesos de critérios em outros métodos.

  • MAUT

Teoria da utilidade Multiatributo (MAUT), Souza (2005) afirma que a ideia básica do método é a quantificação da desejabilidade do decisor pelos possíveis bens que poderá adquirir, associando a estes um valor que represente um critério de escolha por parte do decisor.

MAUT pode ser utilizado para agregar valores de preferências e consequências com relação às múltiplas dimensões levando em consideração as preferências do decisor e seu comportamento, considerando casos com incerteza numa clara medida de risco (Almeida, 2010; Brito e Almeida, 2009)

Existem muitos outros métodos existentes, cada um com suas vantagens e desvantagens. Lembrando que para a utilização dos métodos recomenda-se um facilitador e um decisor (especialista do domínio sob avaliação).

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